As maravilhas do mundo árabe | Massacre de Abu Shusha – Terror de Israel na Palestina
247
post-template-default,single,single-post,postid-247,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,select-theme-ver-3.7,vertical_menu_enabled,wpb-js-composer js-comp-ver-5.0.1,vc_responsive
Massacre de Abu Shusha

Massacre de Abu Shusha – Terror de Israel na Palestina

Mapa da Palestina - Abu ShushaEssa é terceira reportagem de nossa séria sobre o terror de Israel contra os árabes.

Abu Shusha era uma aldeia palestina no subdistrito de Ramle, no Mandato Britânico da Palestina, tendo sido despovoada em maio de 1948.
Em 1177 os cruzados, que a chamavam de Mont Gisar, ganharam uma batalha contra Saladino em Abu Shusha.

Em 1869 ou 1872, as terras da aldeia foram compradas por Melville Peter Bergheim de Jerusalém, um protestante de origem alemã, que a transformou em uma fazenda agrícola, muito contestada pelos moradores.  Após a falência de Bergheim em 1892, as terras passaram a ser geridas pelo governo inglês.

Em 1945, a população de Abu Shusha era 870 habitantes, todos os muçulmanos, com uma área total de 9.425 dunams (unidade de medida otomana equivalente a um acre inglês).

 

O massacre de Abu Shusha e as consequências

 

Nos dias 13 e 14 de maio de 1948, a aldeia de Abu Shusha foi atacada pela Brigada Givati, uma brigada de infantaria das Forças de Defesa de Israel, durante a Operação Barak. A Operação Barak foi uma ofensiva feita pelas Forças de Israel antes do final do mandato Britânico, para tomar aldeias no Norte de Gaza, antes da chegada do Exército do Egito.

David Ben-Gurion

David Ben-Gurion

Alguns habitantes fugiram, mas a maioria permaneceu tentando defender a aldeia da invasão. As tropas Givati foram imediatamente substituídas por milicianos do kibbutz Gezer, que mais tarde foram substituídos por tropas da Brigada de Kiryati, brigada formada por David Ben-Gurion, inicialmente para defender a área em torno de Tel-Aviv, mas que acabou participando de várias batalhas.

Em 19 de maio, fontes da Legião Árabe afirmaram que moradores de Abu Shusha estavam sendo mortos.

Em 21 de Maio, as autoridades árabes apelaram para a Cruz Vermelha para que parassem o que eles chamaram de “atos bárbaros” praticados por Israel em Abu Shusha. Houve relatos de que um soldado da Haganah, organização paramilitar judia, tentou estuprar por duas vezes uma prisioneira de 20 anos de idade. Os moradores que permaneceram na aldeia foram expulsos, provavelmente, em 21 de maio.

Mais recentemente, uma pesquisa realizada pela Universidade de Birzeit, localizada na Palestina próxima a Ramallah, com base em entrevistas realizadas com ex-residentes de Abu Shusha, concluiu-se que entre 60 e 70 moradores foram mortos ou massacrados durante o ataque. Em 1995, uma vala comum com 52 esqueletos foi descoberta, mas a causa da morte não foi determinada.

O historiador israelense, Aryeh Yitzhaki, classifica os acontecimentos de Abu Shusha como um massacre citando um testemunho do Kheil Mishmar, soldado da Força de Defesa de Israel:

“Um soldado da Brigada de Kiryati capturou 10 homens e 2 mulheres. Todos foram mortos, exceto uma jovem que foi estuprada e morta em seguida. No alvorecer de 14 de maio, as unidades da Brigada Givati atacaram Abu Shusha. Aldeões em fuga foram baleados, outros foram mortos nas ruas ou condenados à morte, alguns foram alinhados contra uma parede e executados, não sobrando homens, mulheres tiveram que enterrar os mortos”.

O assentamento israelense de Ameilim foi fundado nas proximidades de Abu Shusha mais tarde, em 1948, enquanto Pedaya foi criada em 1951, ambos nas terras da aldeia de Abu Shusha. O restante da aldeia foi destruída em 1965 como parte de uma operação do governo para “limpar” o país de aldeias abandonadas, que foram considerados pela Administração de Israel como “uma mancha na paisagem”.

 

Massacre de Abu Shusha, uma memória viva

 

Sobreviventes do massacre de Abu ShushaUma sobrevivente do massacre de Abu Shusha, que vive desde então em Ramallah, fez um depoimento a um jornalista alguns anos depois, no final dos anos 80. Classificada pelo jornalista como uma senhora simpática e alegre, sua fisionomia muda quando vê algumas fotos da época. Seu filho Ahmed é quem traduz, ele é diretor em Ramallah e ficou dois anos e meio preso em Israel sem nenhuma acusação.

Ela descreveu como o Haganah, organização paramilitar de Israel, tentou entrar na vila três vezes, mas foi repelido por resistência armada a partir da aldeia. Finalmente, a vila foi ocupada. Setenta e dois homens foram mortos em um massacre, incluindo três de seus irmãos, que foram arrastados pelas ruas. A aldeia foi “limpa” de todos os homens, e aqueles que não foram mortos fugiram. Por um tempo, eram apenas mulheres e crianças, vivendo sob o controle do Haganah. Em seguida, o Haganah reuniu todos e disse para saírem. O Haganah disparou tiros para o ar para assustá-los e se certificar de que compreenderam que não podiam voltar. Quando chegaram à aldeia próxima, ela já estava vazia, os moradores fugiram temendo um massacre como o que aconteceu em Abu Shusha.

Continuaram para as montanhas em direção a Ramallah, dormindo sob as árvores. Finalmente, sua família chegou a Ramallah, onde os jordanianos estavam no controle. Quando chegaram, tinham perdido três filhos e um estava ferido. Desde então, eles têm sofrido outros 39 anos de ocupação militar israelense após a Cisjordânia ter sido conquistada. Hoje, ela vive em uma bela casa com seu filho, que é diretor da cidade de Ramallah (Ramallah teve alguma autonomia muito limitada em meados dos anos 90, mas continua a ser invadida e ocupada por Israel). Mas, apesar de sua situação relativamente confortável, especialmente em comparação com os refugiados que ainda vivem em acampamentos, ela quer voltar para a sua terra. Ela diz que, em conclusão: “Eu não quero essa grande casa. Eu quero viver na minha casa, onde é verde e há árvores. Este é o meu desejo para os meus filhos e netos”.

Sobreviventes do massacre de Abu ShushaAhmed disse ao jornalista quer os entrevistou que sua mãe muitas vezes chora ao assistir notícias sobre a situação de outros países árabes. Perguntado sobre o que ela achava da situação, disse que ela vendo os refugiados lembrava-se de 1948, e se sentia muito triste por eles.

Abu Shusha foi uma das cerca de 400 aldeias palestinas destruídas para dar lugar a Israel em 1948 (palestinos muçulmanos e cristãos eram a maioria, 2/3 antes da guerra). Assim como a maioria das cidades nos Estados Unidos foram construídas sobre as ruínas de assentamentos nativos americanos (que foram permanente, e não nômade, por sinal), a maioria das cidades israelenses são construídas sobre aldeias palestinas. Muitos dos ex-moradores ainda estão vivendo em campos de refugiados para onde fugiram a pé. Muitos deles ainda têm as chaves para suas casas e ações para a sua terra, eles pensavam que estariam de volta em dias, mas tem sido mais de 60 anos.

 

Algumas fotos podem ser vista no link abaixo

Fotos de Abu Shusha no Google

 

Artigos relacionados:

O massacre de Khan Yunis

O massacre de Qana

 

Fontes:

wikipedia english

occupied palestine (Atenção: material pode ser chocante)